Inventario (S17°47′21″ O63°11′51″)

Projeto selecionado no programa de RESIDENCIAS ARTÍSTICAS KIOSKO 2016-2017

Santa Cruz de La Sierra – Bolívia – América do Sul

Período: 27/08/2016 – 20/10/2016

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Projeto: Inventário (S 17˚48’0” O63 ˚10’0”)

Inventário é um projeto para estudo de campo e espaço, com a produção de objetos para observação e registro do conhecimento e imaginário popular em relação à Astronomia. Através de câmbios de saberes, práticas cotidianas e história oral, buscar junto à localidade e suas pessoas, narrativas acerca de cosmovisões coletivas e particulares.

O projeto será desenvolvido em três itens:

– Produção de um aparelho (da série D.K.A.) para registro do céu noturno ao mesmo tempo em que é feita observação de acontecimentos diários (planos sensíveis e políticos) na cidade de Santa Cruz de La Sierra e assim, correlacionar essas atividades. Com esse processo, estudar eventos como Luz Fantasma, apagamento da Via Láctea e produzir uma catalogação gráfica e sonora de todas as ocorrências.

– Gabinete Móvel: realizar estudos e protótipo de um modelo para espaço de estudo e convivência, mini domo de observação astronômica, feito com materiais residuais e reciclados, construído coletivamente e terá uma forma semelhante a um trailer que pode ser rebocado por bicicleta. Esse espaço, um tipo de objeto errante e com suas particularidades estruturais, almeja ser um laboratório, porém está mais para um especulatório (sic).

– Assembleias aulas, um programa de dez horas com apresentação de imagens que conectam as histórias da Arte e Astronomia ao longo de 32.000 anos. Um curso em cinco encontros de duas horas, onde os participantes terão a oportunidade de pensar as convenções que foram utilizadas ao longo da História para representar, pensar e imaginar o Cosmos. Durante esses encontros, buscar junto aos participantes, memórias acerca da imaginação do Cosmos.

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Pontos de pensamento para desenvolver a pesquisa:

– Na astronomia e na física é preciso entender que tudo é dinâmico. A cultura também é feita de movimentos, retomamos e reelaboramos signos, ao ponto de se tornarem convenções para os que hão de vir e resistência ao esquecimento ancestral.

– Entre analogia e metáfora permanente, como nos atrevemos a criar procedimentos para nos conectar com forças maiores (rituais) e buscar um protagonismo (arquétipos). Entre a dádiva e o simbolismo, como nos associar à algo que não seja apenas o que se apresenta claramente a nós.

– Linguagem e sobrevivência cultural. Invenção como resistência.

– Vigília do espírito: monitoramento contínuo da vida e das intenções. Sejam externas e internas, como criamos métodos e vocabulário para dar conta das nossas experiências. Pareidolia, imaginando padrões para organizar a existência.

 

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Ocorreu um eclipse no dia 18 de agosto, mas foi tão sútil, que ninguém reparou. Existiu sem ser notícia. 

 

À partir desses pontos, montar um ensaio sobre os movimentos delicados que existem em uma comunidade, tratar de suas criações imaginárias, suas formas de narrativa que são elásticas e entre tempos materiais ou mentais. O exercício de criar convenções contemporâneas e como pensar o atravessamento delas no tempo.

Meu interesse está em buscar por adaptações práticas, feita através da construção de dispositivos que sugerem pequenas insurreições e contra estratégias diárias. Com qualquer tipo de tecnologia e forma, seja a fala ou o silêncio. Utilizar materiais como sobras, desenvolvendo um discurso cínico e distópico.

 

 

Rural Scapes – #labRes2015

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E.A.E.#01 – Série D.K.A.

Especulações Áudio Estelares da série D.K.A. (Desenhador Kósmiko Artesanal), é um projeto para construir e experimentar cartografias celestes particulares. Usando um aparelho artesanal para registrar graficamente o céu noturno e convertendo pontos visuais em sons através de pequenos geradores de ruídos (osciladores e micro sintetizadores), intento pela invenção de um vocabulário próprio para cada constelação, asterismo ou aglomerado que foi mapeado e assim observar outro tipo de representação das estrelas.

A feitura de E.A.E.#01, se deu durante minha participação do labRes2015 na residência Rural Scapes. Partindo de desenhos e rascunhos mentais do que eu poderia experimentar durante o tempo de permanência na Rural Scapes, pude montar um aparelho e usá-lo (D.K.A. – Peça 02) e ainda experimentar uma composição líquida para usar em circuitos eletrônicos analógicos.

Tinta condutiva à base de gema de ovo caipira e grafite
Tinta condutiva à base de gema de ovo caipira e grafite

O aparelho captador de formações estelares é bem simples, parecido com um cavalete constituído de um bastidor onde é fixada uma transparência de pvc, serve como um quadro do céu noturno. Nesse quadro, usando caneta marca texto, após escolher um ponto de observação são feitas anotações do céu noturno.  Após a coletar os pontos, a transparência serve como uma máscara para repassar à um papel os desenhos que são produzidos alí.

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No caso de E.A.E.#01, as anotações são para constituir um tipo de desenho que será convertido em pontos de toque para o aparelho de ruídos. Usei para primeiro projeto um circuito bem simples e conhecido, o Drawdio 555. Nessa experiência o E.A.E.#01, resultou um tipo de teclado musical.

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É claro que não fui para o labRes2015 apenas para ficar olhando estrelas no céu e fazer essa coisa lindinha que você está vendo, na minha proposta também preparei algumas atividades com estudantes de São José do Barreiro. A atividade proposta foi Céu Aberto, misto entre palestra-oficina com duração de 9 horas, ocorreu entre os espaços culturais da cidade de São José do Barreiro e a Fazenda de Santa Tereza (sede RuralScapes).

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Uma das coisas que me interessam nesse tipo de atividade é a possibilidade de um desvio no câmbio de saberes, é comum entre artistas tratarem suas poéticas sempre sobre a perspectiva de toda a práxis dentro da Arte Contemporânea. Durante as “aulas” com estudantes de variadas idades e singularidades culturais, geralmente ocorrem pequenas epifanias e sínteses correspondente ao objeto de estudo daquele momento.

denise alves-rodrigues

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deise alves-rodrigues
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(continua)

OBJETOS NEGATIVOS – Ensaio para Futuras Dissidências (Introdução)

denise alves-rodrigues

Que lindo maravilhoso fotografar a coma dos cometas de tão pertinho e daí não temos água e daqui a pouco cai internet logo mais com terceira guerra mundial rolando desde os anos 80 e a gente fazendo cara de paisagem y fingindo que não.

Decidi então me adiantar e iniciar minha preparação para o glorioso momento Mad Max. O Arrebatamento não será divino e como não sou mansa, daqui para frente vou é construir os dispositivos gerais necessários para atravessar o que resta dos dias aqui nessa Terra e como sou uma mulher D.I.Y. acredito francamente no compartilhamento de informações e técnicas, assim começo a postar aqui os esboços e protótipos desses dispositivos que chamo Objetos Negativos.

Basicamente os Objetos Negativos são inutilitários para atravessar a distopia.

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