Antro Lunar/D.K.A.

Antro Lunar (projeto)

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2015(…)2017

Madeira, lente de vidro e etc.

Aparelho para inverter a aparência da Lua, feito com uma lente convergente fixada em uma estrutura de madeira similar a um capacete, Antro Lunar é uma peça da série D.K.A. e seu estudo inicial foi durante o no período de residência no JACA – Centro de Arte e Tecnologia (Dispositivo Móvel: Ações compartilhadas – 2015). É um instrumento para contemplação lunar, diferente dos usuais equipamentos astronômicos, não existe a intenção de aumento do objeto celeste para apreciação de seus detalhes físicos e sim, apenas um exercício de observação sem desejo de captar ou consumir o que se vê com eficácia e certeza.

 

 

Índice Austral – Sigilos

27 peças 7cm x 8cm x 1cm/2016/Argila Seca

(03 peças escuras ficarão intactas – 24 peças claras serão quebradas durante a exposição O Que vem com a Aurora – Casa Triângulo)

 

o que vem com a aurora  //  Bernardo Mosqueira

 (ao meu amor)

Atualmente, a realidade se apresenta de forma tão assustadora que é fundamental que nosso compromisso ético maior seja com a transformação das bases obscenamente esgotadas de nossa sociedade. Esse é também o momento da história da humanidade em que as informações sobre o mundo são mais abundantes e acessíveis: um tempo em que se posicionar contra aquilo do que se discorda se tornou o procedimento relacional fundamental da cultura. Quanto mais eficazes e sedutoras as estratégias de oposição e, sobretudo, de destruição do outro e de suas ideias, mais alto é seu lugar de poder na sociedade. Porém, há aí um problema grave. A oposição ou a crítica não podem ser entendidas como finalidades em si, e, assim como ainda perdemos corpos maravilhosos para a guerra, muitos dos nossos melhores pensadores estão dedicados exclusivamente a processos discursivos de crítica e desconstrução, que resultam mais em terra arrasada e um lugar de poder construído do que em qualquer elaboração ou colaboração para construção do mundo que se deseja.

Fomos treinados mais para o combate do que para o encontro, mais para nos posicionarmos diante de questões existentes do que para criar novos problemas e formas. As discussões que se movem apenas de um polo discordante ao outro, como um pêndulo, não mudam nenhum eixo de lugar. É preciso complexificar nossos encontros, e a liberdade está verdadeiramente mais ligada à criação do que a reação. “O que vem com a aurora” é, portanto, um elogio à transgressão criativa capaz de afirmar novas éticas que enriqueçam nossa existência coletiva com formas originais de estar no mundo. Ainda mais importante do que as transgressões acontecerem nos trabalhos de arte é que elas possam acontecer por meio ou a partir desses trabalhos.

Se nossa atualidade é de fato assustadora, é certo que dela podem surgir a matéria e os instrumentos para uma transformação radical da realidade. O humano produz os objetos, imagens, textos e situações que lhe cercam exatamente para que esses possam falar conosco. Se necessitamos de imagens, fantasias, ideias ou desejos para dar sentido a nossos movimentos e se é fundamental uma transformação radical de ordem coletiva e de escala global, precisamos desenvolver maneiras de compartilhar a representação de outro mundo ficcional e possível. Só assim podemos nos mover juntos em direção a ele. Toda solução nasce como ficção, e nós mesmos somos consequências da imaginação, dos desejos e das lutas de nossos antepassados.

Os trabalhos que compõem essa mostra não se realizam como críticas. Ao contrário, nos apresentam materiais e instrumentos que nos auxiliam a negar a imutabilidade dos princípios em nome da fundação de algo que ainda está por vir. Estamos numa era marcada pela imprevisibilidade e pelas constantes e intensas transformações e que é composta também por forças conservadoras. A reunião desses trabalhos tem a intenção de vitalizar e fortalecer aqueles que constroem o caminho para o futuro de forma transgressora, libertária e expansiva. É um conjunto muito diverso de artistas e trabalhos que se relacionam com epistemologias não-hegemônicas desde as margens, que constroem terreno fértil para exercitar mais a inventividade do espírito do que as análises da razão, que, em meio à grande crise da empatia, criam e disseminam formas de sensibilização primordiais para negociar os desejos de maneiras não-perversas.

Aurora é o fenômeno natural luminoso que antecede a chegada do Sol ao horizonte. Entre as divindades da mitologia romana, Aurora era definida pela condição de eternamente apaixonada. É a mãe do Sul, além dos outros 3 ventos.
É um movimento.

estudocaixa

Casa Triângulo

Hyperallegic

 

 

 

Palestra: Céu Aberto, a astronomia Maia

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SESC Consolação – 20 de maio – 19h30

Uma fala aberta para apresentar a convenção astronômica da cultura Maia, registros em códices e glifos que serão comparados à astronomia europeia do mesmo período (entre séculos 200 e 900 d.C.) e assim analisar junto ao público os aspectos científicos e estéticos entre o Velho e o Novo Mundo.

A conversa trata de uma livre troca de informações entre a mediadora e os participantes, uma provocação ao ensaio e imaginação de possibilidades em uma América Latina que não teria sido colonizada, tanto material quanto simbolicamente. Com Denise Alves-Rodrigues.

Denise é Bacharel em Artes Visuais pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo – 2012 e tecnóloga amadora. Participou de exposições coletivas em Ribeirão Preto, São Paulo, Recife, Belém, Vitória, Maceió, Rio de Janeiro, Madrid & Sevilha-Espanha, Valparaíso-Chile, La Paz-Bolívia e Quito-Equador. Esteve em residências de Liberdade-MG, Visconde de Mauá-RJ, São Paulo-SP, Quíndio-Colômbia, São José do Barreiro-SP e Nova Lima-MG.

Na Sala Delta, 7º andar.

Asterismo // Dispositivo Móvel para Ações Compartilhadas: Residência Internacional — 2015

(Esse post deveria estar aqui ao fim da primeira semana de permanência na JA.CA, mas por motivos maior – procrastinação, devaneio e dúvida – somente agora consegui sentar e iniciar sua publicação e está em construção)

Fui selecionada para passar dois meses (15-06 a 15.08.2015) na JA.CA – Centro de Arte e Tecnologia, durante a segunda temporada do Dispositivos Móveis para Ações Compartilhadas: Residência Internacional – 2015  com Asterismo, uma das variações desse projeto que venho desenvolvendo desde 2013, o D.K.A. (Desenhador Kósmiko Artesanal).

A proposta de Asterismo, é a construção de um aparelho para registro manual de partes da esfera celeste, depois com esse registro concluir um tipo de cartografia estelar própria e assim produzir um manuscrito referente aos agrupamentos de estrelas que consegui visualizar durante o período de residência. Além da estrutura, verba, espaço e orientações/acompanhamentos para inventar+montar+experienciar mais um artefato para a série D.K.A., a residência ainda disponibiliza uma Kombi para uso dos residentes. Uma Kombi. Uma Kombi amarela que me deixou tão eufórica que nem consegui fazer uma foto – até por que penso que a fotografia não seja mais capaz de representar determinadas coisas e a JACombi é uma delas – decidi que criar uma imagem como a melhor forma de apresentá-la:

jaca

Quando propus Asterismo na convocatória, tive como intenção montar um laboratório circulante e usar o veículo como transporte para locais de observação mais distantes da JA.CA, claro que chegando ao Jardim Canadá comecei a repensar o projeto, todas as milhões de possibilidades que eu poderia experimentar, tudo o que eu poderia gerar na população local e tudo aquilo que passa na cabeça de artista quando tem tempo e material para fazer coisas. Depois de quatro semanas ruminando, decidi pelo projeto original. Simples, dinâmico e sutil.

É claro que as mudanças de percurso do projeto inicial que tive durante as quatro primeiras semanas de residência, se não foram interessantes ao ponto de me decidir por elas para o resultado da JACAxperiência, me serviram para uma auto análise de minhas práticas artísticas e intenções sobre o que realmente quero fazer do meu trabalho como artista plástica. Mas não cabe aqui revelar. A única coisa que digo é: não mais ensaiar e projetar tanto qualquer objeto que eu faça daqui para adiante.

Eu não consigo entender de onde vem esse vício de permanecer num transe meditativo e idealizador sobre o próprio trabalho. Parece coisa de burocrata.  Fixa dentro das ideias enquanto Jardim Canadá -um objeto absurdo de vivência – lá fora. Como uma nova perspectiva de minha passagem na residência, Fabíola Moulin em umas das visitas de acompanhamento, propôs saídas e permanências com meus aparelhos pelas ruas do Jardim Canadá.  O que de início me pareceu assustador, imagina eu com um cabeção de papelão bicudo de lentes parada numa praça buscando a Lua:

“olhão”

A sugestão/provocação da Fabíola, de que aqueles objetos – que eu estava apenas projetando e ensaiando dentro da JA.Contêineres – poderiam ser inseridos dentro do contexto local, através de aparições estranhas e permanências vagas, seria como um atravessamento e e quem sabe a possibilidade de não apenas observar, mas também ser observada e assim criar uma livre troca de percepções entre nós (moradores e eu).  Uma das coisas que pensei é que, se eu vim até aqui para observar e inventar astronomia de ficção e suas extensões no plano-Terra, também fazer desses objetos pequenas lendas situadas no Jardim Canadá não seria uma forma de inserir mais histórias à essa área? (Pausa para pensar o conceito de História). Se estou estudando a criação das visões sobre um todo (Cosmovisão) que existem dentro de determinadas áreas (pequenas cidades, comunidades e bairros), ao inserir um componente novo dentro desse espaço, de duas uma: estou invadindo ou elaborando aquele lugar? Talvez a conclusão venha apenas quando estiver em SP de novo.

Xistófer, o outro residente, tem me passado vários links sobre cosmos e Sun Rá é um deles. Estou em transe com Sun Rá, lembro da Leila Lopes falando sobre Afrofuturismo em um dos encontros do MSST e pensado como devem tanto à essa gente não legitimada e enquadrada na perspectiva da Arte Contemporânea.

(CONTINUA – Pensar na eleição dos materiais encontrados na rua; os outros residentes; Aulas de Cerâmica no CAC; visitas ao ACH – e a ideia do espaço cultural fora do eixo Arte Contemporânea; novo projeto para a KOMBI; projetos jogados fora… )

NOTASNOTASNTASNOTASNOTASNOTASNOTASNOTASNOTASNOTASNOTASNOTASNOTASNOTA

– Dia 1: Cheguei ao Jardim Canadá, contêiner gourmet; O bairro, isolado frio David Lincho; A ideia de respiro visual que realmente existe ou é projeção da sua cabeça; A primeira semana adaptação e explanação; Primeira noite me perdi e foi triste, Walter Benjamin me surraria por estar mais preocupada com meu celular do que com minhas próprias percepções, um lobisomem devia ter me comido;

Durante o dia vc percebe que o Jardim Canadá parece anular a noção do tempo; Passado Futuro; abundância e carência; a perspectiva clara de um projeto Brasil de progresso que agoniza e se confunde;

Dia 2: Andar e olhar; casa e gente; loja de carros importados e mineiradora e tratores e cães de rua, tudo num mesmo lugar em movimento; Júpiter e Vênus começam sua dança;

Dia 3: Disparidades: Galeria X CAC

Dia 4: Primeira ida à BH e arrependida por não trazer Certeau; Feliz por não ter trazido Certeau e ter tempo de ler Sontag.

Dia 5: olhando a tal arte e pensando em ilusão e imaginário e especulação;

Dia 6: Ideia de fazer um bunker de baixo da terra onde vou fazer uma exposição de todos esses aparelhos astronômicos e depois enterrar o bunker e todos os aparelhos pra que nunca mais sejam vistos;

Dia 7: Essa é a última vez que venho ao Verdemar;

Dia 8: No Verdemar escuto sobre a super qualidade dos “Outlet” em Miami.

Dia 9: Primeira aula de polonês: Dzien´Dobry (bom dia)

Dia 10: Pensar em constelações em perspectiva que provem alguma coisa que ainda não sei; O ponto onde as estrelas se tocam tem o quê?

Dia 11: Uma caixa de ferramentas; régua com medida de meus dedos; minhas medidas.

Dia 12: Pensando sobre artesanato; não somente técnica, moldar a sutileza do silêncio (daquilo que está gritando na cabeça mas para nos dentes); O depoimento da viajante solitária;

Dia 13: BH – Museu de Artes e Ofícios; Elogio ao trabalho, principalmente à quem dá a mão de obra, para que nunca desista de servir. “o barco é feito assim , todo torto para ficar direito na água” carpinteiro naval; não tinha ideia que os tropeiros usavam lunetas; copiando dobradiças antigas; vendo “Oratório Bala” e pensando em montar um objeto luneta para ver a Lua no Zênite.

Dia 14: lembrar que “Ofício” é empregar ânimo em um objeto;

Dia 15: BH – exposição de Sebastião Salgado, de tão bonita a fotografia ela me aliena, a pessoa passa fome na foto , estou confortável por apenas olhar.

Dia 16: 19hs, vou para a praça quatro elementos, sento na mureta, garotos me olham, eu olho a Lua, a Lua olha eles; praticamos uma triangulação ótica perfeita com nossas consciências secretas;

Dia 17: Aprender na vivência, mesmo que estoure seus filtros;

Dia 18: Montar todo um aparato, construir e pensar o dia inteiro e usar por apenas um segundo à noite;

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