Há uma esfinge entre nós // Sé Galeria

“Há uma esfinge entre nós”
Denise Alves-Rodrigues

Denise Alves-Rodrigues

 

A Sé Galeria tem o prazer de anunciar a entrada da artista Denise Alves-Rodrigues no time de artistas representados. Para dar início a essa parceria, a galeria apresentará sua primeira exposição individual no espaço da Sé: “Há uma esfinge entre nós”. A abertura será no dia 2 de fevereiro de 2019 e apresentará desenhos, objetos, fotografias e instalações da artista.

Nascida em 1981 em Itaporã, Mato Grosso do Sul, cresceu em Araçatuba, São Paulo.  Mudou-se para São Paulo onde realizou sua graduação na Faculdade Belas Artes, especializando-se em Escultura. A artista integrou residências pelo Brasil e pela América Latina como a JACA-BH, Spa das Artes, Nuvem-RJ e Programa Experiência do Itaú.  Também participou de exposições em espaços e instituições culturais como Sesc Riberão Preto, Galeria Vermelho (Verbo) e Funarte.

As obras que serão exibidas em sua inauguração na Sé compõem um quadro de uma peculiar reconciliação entre mundos, à primeira vista, antagônicos. Magia, astronomia, animismo, bruxaria, se imbricam a circuitos eletrônicos, teorias e métodos científicos.

Denise equaciona práticas tidas como mágicas, feitiços e bruxarias,- palavras desprezadas pela política e pelos métodos científicos hegemônicos-,  ampliando e revirando poeticamente a reflexão sobre a ciência e sobre o saber. Abertura ao erro, ao indeterminado, às pseudo-ciências ou quase ciências, são elevados por Denise como potências epistemológicas, fontes e métodos de conhecimento assim como os métodos racionais científicos.


Na série de desenhos “Deus salve o materialismo histórico”, a inversão do tradicional ponto de vista da representação técnica dos eventos celestes e a evocação astrológica da obra propõem um duplo deslocamento do olhar terrestre para o cosmos tanto geopolítico quanto epistêmico. Denise frequentou a Escola Municipal de Astrofísica e através do domínio de ferramentas de análise astronômica, revira o centro da visão do cosmos para o hemisfério Sul, criando cartas austrais, retratando eventos acontecidos na história do Sul Global através de sua configuração celeste, conectando-os ainda a outros eventos cuja configuração é similar.

Em “Captadores dos murmúrios da Terra” e “Medidores de assuntos delicados”, a artista constrói captadores técnico-sensíveis da Terra, do ar e dos corpos, de modo a retomar conexões anímicas perdidas, outras inteligências, saberes coletivos e não ouvidos em meio ao caos tecnológico à qual estamos imersos.

 

A artista se utiliza dos mesmos materiais de desenho de sua infância, lápis, réguas, compassos. Já suas esculturas são feitas com técnicas de fabricação digital e circuitos eletrônicos elementares criados pela artista, misturando os instrumentos científicos com  objetos pertencentes a um repertório místico ou esotérico.

 

Denise já deu aula de arte-eletrônica e arte-astronomia em centros comunitários, suas aulas tem como objetivo principal transformar qualquer coisa que envolva ciência e tecnologia em algo com potencial estético para que as pessoas possam aprender seus códigos de forma simples. Atualmente trabalha como facilitadora em um maker space, auxiliando outros criadores no desenvolvimento de seus projetos.
“Há uma esfinge entre nós” parte de uma percepção de que todas as obras de alguma forma apresentam um enigma, um conhecimento não provado. A esfinge representa, para a artista, as incertezas que estão entre nós. Essa figura mitológica que coloca um enigma no mundo sem no entanto apresentar uma solução, já que tudo é especulação.

Iminência de Tragédia // VPR

Título: Deus Salve o Materialismo Histórico

Série: D.K.A. (Desenhador Kósmiko Artesanal)

Ano: 2016/2018

Modalidade: Desenho

Materiais: papel alta alvura, gramatura 250, lápis de cor, canetas hidrocor e nanquim.

Uma série de Cartas Austrais, representando eventos celestes em determinados momentos da história mundial e suas coincidências com eventos culturais.

Em um primeiro momento os desenhos ilustravam as invasões na América do Sul, do Descobrimento do Brasil até a ocupação brasileira no Haiti. Em 2018 inicia-se os estudos acerca da dúvida da História, as datas ignoradas ou distorcidas são apresentadas como um segunda perspectiva de movimentos políticos na Terra enquanto os astros persistem em sua  mecânica celeste.

 

Título: Vocação para a ruína

Série: CAMPANHA de testes para tecnologias falhas, ciências impuras e teorias duvidosas.

Ano: 2017/2018

Modalidade:  Objeto

Materiais: Compensado de madeira, cobre, latão, circuito eletrônico, papel cartão, tinta acrílica e mídia sonora 18’.

 

Memorial:

Um rio margeia parte da cidade murmurando “vocês fracassaram comigo”. A prática da construção de ruínas é lucrativa. Na esfera coletiva, dos três tempos, só o passado existe (presente é apenas uma forma de consciência e o futuro uma projeção). Assim, proponho um ensaio pré-distópico na cidade de São Paulo.

 

Em 2012 iniciei uma série de estudos e ações que chamo de: CAMPANHA de testes para tecnologias falhas, ciências impuras e teorias duvidosas.

Usando as tecnologias que eu já sabia trabalhar e aprendendo novas, desenvolvi aparatos capazes de me dar informações acerca de um determinado tema.

A minha mais recente especulação, é sobre a conclusão de fatos através da observação de um vocabulário impróprio dos seres humanos, a linguagem elementar. Penso, que os elementos básicos da natureza, ar, terra, fogo e água, não só podem transmitir como também guardar informação acerca de um determinado evento.

Uma das bases que uso para conferir os eventos é a paralaxe,  que é o deslocamento aparente de um determinado objeto, quando se muda o ponto de sua observação.  Será possível concluir um fato que venha a partir de apenas um emissor?

Para provar de minha teoria desenvolvi algumas ferramentas que combinam tecnologia eletrônica e outros materiais para captar dados e transformá-los em algum tipo de sinal reconhecível por uma pessoa humana.

 

Ferramentas:

Terra: circuito eletrônico analógico, sistema de feedback galvânico, que permite a captação de sinais elétricos em toque com a terra.

Ar: circuito eletrônico que capta os movimentos elétricos negativos e positivos.

Ambas as ferramentas possuem periféricos como antenas e barras de metal.

 

 

Programa:

Local de primeira prova: Represa Guarapiranga

Em 1988, ocorreu um evento no extremo Sul da cidade de São Paulo, denominado Caso Guarapiranga. O corpo mutilado de um homem adulto foi encontrado as margens da represa, vestindo apenas cueca e com vários sinais de perfuração e queimaduras. Enquanto ufólogos traziam depoimentos de pessoas da região falando sobre aparecimento de luzes no céu noturno e coisas estranhas na mata e que esse corpo foi vítima de uma abdução por extraterrestres bem violentos, a polícia científica falava que as perfurações foram feitas por animais necrófagos e as queimaduras não eram queimaduras e sim resultado de fotografias mal feitas de um corpo em putrefação.

Lendo sobre o caso e entendendo que era impossível chegar à uma conclusão através das pessoas, decidi ir até o local e colher o testemunho da terra e do ar.

 

Locais de segunda e terceira provas: Parque do Carmo e Pedreira da Brasilândia.

14@ Residência Red Bull // VPR

http://www.redbullstation.com.br/residencias/14a-edicao/residente/denise-alves-rodrigues/

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