Antro Lunar/D.K.A.

Antro Lunar (projeto)

Documento-1-página001

2015(…)2017

Madeira, lente de vidro e etc.

Aparelho para inverter a aparência da Lua, feito com uma lente convergente fixada em uma estrutura de madeira similar a um capacete, Antro Lunar é uma peça da série D.K.A. e seu estudo inicial foi durante o no período de residência no JACA – Centro de Arte e Tecnologia (Dispositivo Móvel: Ações compartilhadas – 2015). É um instrumento para contemplação lunar, diferente dos usuais equipamentos astronômicos, não existe a intenção de aumento do objeto celeste para apreciação de seus detalhes físicos e sim, apenas um exercício de observação sem desejo de captar ou consumir o que se vê com eficácia e certeza.

 

 

Inventario (S17°47′21″ O63°11′51″)

Projeto selecionado no programa de RESIDENCIAS ARTÍSTICAS KIOSKO 2016-2017

Santa Cruz de La Sierra – Bolívia – América do Sul

Período: 27/08/2016 – 20/10/2016

observatório errante002

Projeto: Inventário (S 17˚48’0” O63 ˚10’0”)

Inventário é um projeto para estudo de campo e espaço, com a produção de objetos para observação e registro do conhecimento e imaginário popular em relação à Astronomia. Através de câmbios de saberes, práticas cotidianas e história oral, buscar junto à localidade e suas pessoas, narrativas acerca de cosmovisões coletivas e particulares.

O projeto será desenvolvido em três itens:

– Produção de um aparelho (da série D.K.A.) para registro do céu noturno ao mesmo tempo em que é feita observação de acontecimentos diários (planos sensíveis e políticos) na cidade de Santa Cruz de La Sierra e assim, correlacionar essas atividades. Com esse processo, estudar eventos como Luz Fantasma, apagamento da Via Láctea e produzir uma catalogação gráfica e sonora de todas as ocorrências.

– Gabinete Móvel: realizar estudos e protótipo de um modelo para espaço de estudo e convivência, mini domo de observação astronômica, feito com materiais residuais e reciclados, construído coletivamente e terá uma forma semelhante a um trailer que pode ser rebocado por bicicleta. Esse espaço, um tipo de objeto errante e com suas particularidades estruturais, almeja ser um laboratório, porém está mais para um especulatório (sic).

– Assembleias aulas, um programa de dez horas com apresentação de imagens que conectam as histórias da Arte e Astronomia ao longo de 32.000 anos. Um curso em cinco encontros de duas horas, onde os participantes terão a oportunidade de pensar as convenções que foram utilizadas ao longo da História para representar, pensar e imaginar o Cosmos. Durante esses encontros, buscar junto aos participantes, memórias acerca da imaginação do Cosmos.

IMG_1515

Pontos de pensamento para desenvolver a pesquisa:

– Na astronomia e na física é preciso entender que tudo é dinâmico. A cultura também é feita de movimentos, retomamos e reelaboramos signos, ao ponto de se tornarem convenções para os que hão de vir e resistência ao esquecimento ancestral.

– Entre analogia e metáfora permanente, como nos atrevemos a criar procedimentos para nos conectar com forças maiores (rituais) e buscar um protagonismo (arquétipos). Entre a dádiva e o simbolismo, como nos associar à algo que não seja apenas o que se apresenta claramente a nós.

– Linguagem e sobrevivência cultural. Invenção como resistência.

– Vigília do espírito: monitoramento contínuo da vida e das intenções. Sejam externas e internas, como criamos métodos e vocabulário para dar conta das nossas experiências. Pareidolia, imaginando padrões para organizar a existência.

 

L2016Aug18
Ocorreu um eclipse no dia 18 de agosto, mas foi tão sútil, que ninguém reparou. Existiu sem ser notícia. 

 

À partir desses pontos, montar um ensaio sobre os movimentos delicados que existem em uma comunidade, tratar de suas criações imaginárias, suas formas de narrativa que são elásticas e entre tempos materiais ou mentais. O exercício de criar convenções contemporâneas e como pensar o atravessamento delas no tempo.

Meu interesse está em buscar por adaptações práticas, feita através da construção de dispositivos que sugerem pequenas insurreições e contra estratégias diárias. Com qualquer tipo de tecnologia e forma, seja a fala ou o silêncio. Utilizar materiais como sobras, desenvolvendo um discurso cínico e distópico.

 

 

Índice Austral – Sigilos

27 peças 7cm x 8cm x 1cm/2016/Argila Seca

(03 peças escuras ficarão intactas – 24 peças claras serão quebradas durante a exposição O Que vem com a Aurora – Casa Triângulo)

 

o que vem com a aurora  //  Bernardo Mosqueira

 (ao meu amor)

Atualmente, a realidade se apresenta de forma tão assustadora que é fundamental que nosso compromisso ético maior seja com a transformação das bases obscenamente esgotadas de nossa sociedade. Esse é também o momento da história da humanidade em que as informações sobre o mundo são mais abundantes e acessíveis: um tempo em que se posicionar contra aquilo do que se discorda se tornou o procedimento relacional fundamental da cultura. Quanto mais eficazes e sedutoras as estratégias de oposição e, sobretudo, de destruição do outro e de suas ideias, mais alto é seu lugar de poder na sociedade. Porém, há aí um problema grave. A oposição ou a crítica não podem ser entendidas como finalidades em si, e, assim como ainda perdemos corpos maravilhosos para a guerra, muitos dos nossos melhores pensadores estão dedicados exclusivamente a processos discursivos de crítica e desconstrução, que resultam mais em terra arrasada e um lugar de poder construído do que em qualquer elaboração ou colaboração para construção do mundo que se deseja.

Fomos treinados mais para o combate do que para o encontro, mais para nos posicionarmos diante de questões existentes do que para criar novos problemas e formas. As discussões que se movem apenas de um polo discordante ao outro, como um pêndulo, não mudam nenhum eixo de lugar. É preciso complexificar nossos encontros, e a liberdade está verdadeiramente mais ligada à criação do que a reação. “O que vem com a aurora” é, portanto, um elogio à transgressão criativa capaz de afirmar novas éticas que enriqueçam nossa existência coletiva com formas originais de estar no mundo. Ainda mais importante do que as transgressões acontecerem nos trabalhos de arte é que elas possam acontecer por meio ou a partir desses trabalhos.

Se nossa atualidade é de fato assustadora, é certo que dela podem surgir a matéria e os instrumentos para uma transformação radical da realidade. O humano produz os objetos, imagens, textos e situações que lhe cercam exatamente para que esses possam falar conosco. Se necessitamos de imagens, fantasias, ideias ou desejos para dar sentido a nossos movimentos e se é fundamental uma transformação radical de ordem coletiva e de escala global, precisamos desenvolver maneiras de compartilhar a representação de outro mundo ficcional e possível. Só assim podemos nos mover juntos em direção a ele. Toda solução nasce como ficção, e nós mesmos somos consequências da imaginação, dos desejos e das lutas de nossos antepassados.

Os trabalhos que compõem essa mostra não se realizam como críticas. Ao contrário, nos apresentam materiais e instrumentos que nos auxiliam a negar a imutabilidade dos princípios em nome da fundação de algo que ainda está por vir. Estamos numa era marcada pela imprevisibilidade e pelas constantes e intensas transformações e que é composta também por forças conservadoras. A reunião desses trabalhos tem a intenção de vitalizar e fortalecer aqueles que constroem o caminho para o futuro de forma transgressora, libertária e expansiva. É um conjunto muito diverso de artistas e trabalhos que se relacionam com epistemologias não-hegemônicas desde as margens, que constroem terreno fértil para exercitar mais a inventividade do espírito do que as análises da razão, que, em meio à grande crise da empatia, criam e disseminam formas de sensibilização primordiais para negociar os desejos de maneiras não-perversas.

Aurora é o fenômeno natural luminoso que antecede a chegada do Sol ao horizonte. Entre as divindades da mitologia romana, Aurora era definida pela condição de eternamente apaixonada. É a mãe do Sul, além dos outros 3 ventos.
É um movimento.

estudocaixa

Casa Triângulo

Hyperallegic

 

 

 

Palestra: Céu Aberto, a astronomia Maia

codice-maya-dresde-28

SESC Consolação – 20 de maio – 19h30

Uma fala aberta para apresentar a convenção astronômica da cultura Maia, registros em códices e glifos que serão comparados à astronomia europeia do mesmo período (entre séculos 200 e 900 d.C.) e assim analisar junto ao público os aspectos científicos e estéticos entre o Velho e o Novo Mundo.

A conversa trata de uma livre troca de informações entre a mediadora e os participantes, uma provocação ao ensaio e imaginação de possibilidades em uma América Latina que não teria sido colonizada, tanto material quanto simbolicamente. Com Denise Alves-Rodrigues.

Denise é Bacharel em Artes Visuais pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo – 2012 e tecnóloga amadora. Participou de exposições coletivas em Ribeirão Preto, São Paulo, Recife, Belém, Vitória, Maceió, Rio de Janeiro, Madrid & Sevilha-Espanha, Valparaíso-Chile, La Paz-Bolívia e Quito-Equador. Esteve em residências de Liberdade-MG, Visconde de Mauá-RJ, São Paulo-SP, Quíndio-Colômbia, São José do Barreiro-SP e Nova Lima-MG.

Na Sala Delta, 7º andar.